As histórias por trás das marcas de saquê

Dassai é um nome de prestígio no mundo do saquê, reconhecido por fãs de saquê por toda parte. Sua fama é tanta, que até mesmo um nome como Joel Robuchon, famoso Chef francês falecido há cerca de um ano, associou-se à marca, abrindo um bar-à-saké exclusivo Dassai em seu estabelecimento a poucos metros do Arco do Triunfo, em Paris.


Mas o que significa a palavra Dassai? Seria o sobrenome de um fundador ancestral? Talvez um kanji rebuscado com um significado muito estudado? O nome de uma montanha, ou uma constelação? Pode ser ainda que tenha a ver com alguma técnica de produção?


Dassai quer dizer literalmente “Festa das Lontras”. É uma expressão que aparece em diversos poemas antigos. O fabricante explica que na província de Yamaguchi, onde está a fábrica da Asahishuzo (responsável pela marca Dassai), a não muito tempo atrás era comum avistar lontras se divertindo em muitos dos rios daquela região. As lontras costumavam exibir suas pescas acenando com os peixes em suas patas, o que originou o termo local “festa das lontras”.


Dassai, a festa das lontras. Aposto que não era bem a tradução que você imaginava. Rsrs.

Entender o conceito por trás dos rótulos, na minha opinião, acrescenta um sabor a mais ao degustar uma garrafa. E o saquê é terra fértil para os que gostam das histórias por trás das marcas.


Dia desses, usei um saquê que eu adoro em uma degustação, o Kido. Os saquês dessa linha, da Heiwa Shuzo, são saquês levemente aromáticos e com mais acidez, o que os torna balanceados, perfeitos para beber todos os dias. É um queridinho. Mas porque “Kido”? Kido, em katakana, vem do inglês Kid, ou criança em bom português. Acontece que a sakagura fundada em 1928 na província de Wakayama, e que ocupa o prédio de um templo xintoísta de mais de 500 anos, sempre teve a fabricação do saquê de maneira tradicional e familiar, produzindo Futsushu.


Foi cerca de 10 anos atrás, quando Norimasa Yamamoto, da quarta geração da família, assumiu a direção dos negócios, que o estilo da casa começou a mudar. Adepto das novas tecnologias, e dos estilos modernos de saquê, Yamamoto revolucionou a pequena Wakayama, levando a pacata cidade entre as montanhas para o novo mundo. Yamamoto reformou a sakagura familiar, e passou a produzir os Ginjos, que eram novidade por ali. Assim ganhou o apelido de “New Kid on the Block”. Para sua nova linha de saquês, escolheu homenagear essa nova fase, e para isso escolheu os kanjis de Kishu 紀州 (área em que está localizada a sakagura) e Fudo 風土 (topografia) lendo-se Kido 紀土.


Saquês Kido

Outro saquê de nome curioso que tive oportunidade de degustar (graças às viagens do Fabio Ota! rsrs) é o Bride of The Fox, da Kaetsu Brewery de Niigata. Inspirado pelo festival anual da Noiva da Raposa, que acontece em Kanbara, cidadezinha aos pés do Monte Rokko. Conta-se que luzes misteriosas são vistas na montanha, e que seriam lanternas carregadas pela procissão de casamento da raposa. Não posso deixar de lembrar aquela cena do filme do Kurosawa, Yume (Dreams), em que o pequeno garoto assiste escondido a procissão das raposas passar.


Cena do filme “Yume” (Dreams) de Akira Kurosawa.

Você quer saber qual é a história por trás do nome do seu saquê favorito? Manda pra gente!


Por Andréa Machado Sake Sommelière

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