Conheça o saquê que só usa 1% do grão do arroz e custa 2 mil dólares!

Atualizado: 10 de Jun de 2019


Essa é para quem gosta de extremos! A produtora de saquês Tatenokawa, da província de Yamagata, no Japão, acaba de anunciar o lançamento, uma vez mais, de seu saquê super premium com seimaibuai (精米歩合) de 1%.


Isso quer dizer que 99% do grâo do arroz é polido/retirado (vira pó de arroz) e só se utiliza - para o saquê - o 1% restante. Ou seja, o seimaibuai é de 1%.


Comparação entre o grão inteiro e o polido com seimaibuai de 1%. Foto divulgação.

Com seimaibuai de 50% ou menos, o saquê já se qualifica a ser um daiginjo, a classificação mais alta dentre os saquês. E a grande maioria dos daiginjos fica entre a faixa de 35% e 50% de seimaibuai.


Bem conhecido pelo mundo, o Dassai 23, um saquê premium da Asahi Shuzo, um junmai daiginjo, tem seimaibuai de 23% - ou seja, 77% do grão utilizado é retirado por polimento.


Komyo Zenith Yamada Nishiki, o saquê de 2 mil dólares, com seimaibuai de 1%. Foto divulgação.

Na verdade, são dois os saquês lançados agora no final de maio de 2019, com o nome Komyo Zenith. Um só com o arroz Yamada Nishiki, e o outro com o arroz Dewasansan. O primeiro custa, no Japão, 216.000 ienes (algo em torno de dois mil dólares) e, o segundo, 108.000 ienes (mil dólares).


Komyo Zenith com arroz Dewasansan, seimaibuai de 1%, mais "em conta", por mil dólares. Foto divulgação.

Antes de considerar que polir o arroz até esse extremo é um desperdício, é bom lembrar que o pó de arroz resultante desse processo não é descartado e tem outras utilizações (para fazer biscoitos, por exemplo).


Muitos especialistas com quem eu já conversei até hoje entendem que, abaixo de um certo percentual de seimaibuai, as diferenças de resultado final seriam mínimas, se não imperceptíveis, já que o núcleo onde se concentra o amido (shinpaku) será alcançado seja com um arroz polido a 10%, a 5% ou a 1%.


Mas não há como negar que, por ser único, esse saquê atrai a atenção do mercado consumidor e da mídia. A produção é super limitada, de 200 garrafas cada. Faz sentido se considerarmos que, para se chegar a esse polimento de 1%, foram necessárias 1800 horas na máquina de polimento vertical - segundo cálculo do especialista Gautier Roussille, em seu livro "Nihonshu - Japanese Sake".


Eu ainda não provei, mas espero ansioso por uma oportunidade!


E você, o que achou desse saquê? Um luxo? Um exagero? Deixe-nos saber sua opinião em nossas mídias sociais, ok?


Kampai!!!


Fabio Ota

Sake Sommelier


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