Papo de Izakaya - Omoide Sakaba

Oi, pessoal, tudo bem? O post de hoje começa a falar dos izakayas, que são os bares japoneses, um dos lugares onde podemos encontrar nossa amada bebida, o saquê.


Se os irlandeses têm os pubs e os espanhóis os bares de tapas, o povo japonês tem os izakayas. Sabe aquele lugar para esquecer daquele dia difícil no escritório, encontrar os amigos, celebrar a vida com umas doses de saquê ou cerveja gelada? Esse mesmo.



No Japão, há izakayas de tudo que é tipo, dos mais simples aos mais sofisticados, de seis lugares até mais de duzentos, com os mais variados tipos de pratos. Há izakayas embaixo das linhas do trem, onde o cliente se senta sobre engradados de cerveja, com preços camaradas. E há izakayas no topo de grandes arranha-céus, com vistas e preços nas alturas.


Na origem, o izakaya surgiu das lojas de bebidas no Japão que passaram a permitir que os clientes bebessem na própria loja, passando a servir alguns petiscos.


No Brasil, os izakayas começaram nos últimos anos a se multiplicar por algumas das grandes capitais, em especial em São Paulo, mas ainda são uma realidade distante para quem vive fora desses grandes centros urbanos. É mais ou menos o que acontece também com o saquê japonês, cujo acesso não é fácil fora das grandes capitais.


Respondendo a vários seguidores que perguntaram onde beber um bom saquê, acompanhado de comidas típicas da terra do sol nascente, vou apresentar a partir de hoje posts com sugestões de lugares. Na medida do possível, tentarei variar geograficamente as indicações, mas é preciso lembrar que fora da cidade de São Paulo, não são tantas as opções. Outra limitação é que não dá para falar do estabelecimento sem o ter visitado. Como falar do clima típico de bar japonês, do ambiente, da comida, do cuidado com o saquê, do serviço, sem nunca sequer ter pisado lá?


Omoide Sakaba - São Paulo, SP - Brasil


Para iniciar essa série, vamos falar hoje do Omoide Sakaba, izakaya super típico, que fica no bairro de Mirandópolis, na cidade de São Paulo.


Foto divulgação Omoide Sakaba

As comidinhas são bem variadas. É possível comer o sashimi (peixe cru) do dia, peixes grelhados, espetinhos de frango, carne, deliciosos legumes em diversas apresentações, oniguiri (bolinho de arroz) e tantas outras delícias. Além do menu fixo, há um cardápio de especialidades dependendo do dia ou da semana. E posso dizer que são necessárias várias visitas para conhecer bem o cardápio, que é realmente bem amplo.


No cuidado com o saquê, basta dizer que um dos proprietários é especialista em saquês formado pela JSA Brasil, o que reflete na cuidadosa seleção e no número de opções da carta. Há desde garrafas mais em conta, caso do saquê nacional Azuma Kirin Nama, até grandes rótulos produzidos no Japão, caso do Hakutsuru Yamada-Ho (veja aqui o meu post sobre esse saquê) que, além de ter uma garrafa linda, é um Junmai Daiginjo maravilhoso. Se uma garrafa for muito, há doses também.


Pequenas doses dos saquês que o cliente escolhe, para degustação (foto: Andréa Machado)

Para mim, uma das medidas de tipicidade é a presença de expatriados japoneses. Quanto maior a quantidade de japoneses nativos, mais típico o estabelecimento, mais parecido com os do Japão. Pelo menos assim penso eu.


E, de fato, dependendo do horário (principalmente nos dias de semana, entre 18 e 20 horas) a maior parte das mesas pode estar tomada por executivos japoneses e você vai se imaginar, verdadeiramente, bebendo seu saquê em um bairro qualquer de Tóquio.


Além disso, para quem cresceu comendo a comidinha dos pais ou avós japoneses, há muitos pratos que vão lembrar esse tempero caseiro, da cozinha da memória afetiva. Tudo a ver, aliás, com o próprio nome do lugar: omoide sakaba quer dizer o bar da lembrança, da memória. E essa memória afetiva, esse olhar nostálgico não está só nos pratos e temperos. Há também alguns toques na decoração do lugar que remetem a outros tempos. Isso explica as muitas famílias e suas diversas gerações frequentando o lugar.


Mas, caso esses temperos ou a decoração não te tragam uma referência nostálgica, não se preocupe. O lugar é democrático e excelente pela qualidade e tipicidade do que oferece. Da cozinha e da grelha – instalada à vista dos clientes – vão sair pratos que te farão querer voltar e, quando menos perceber, o lugar vai passar a fazer parte também da sua memória afetiva.


Exemplo da culinária afetiva do Omoide Sakaba, o oden. (foto: Andréa Machado)

Eu acredito muito na cozinha emocional, que confere toques aos pratos que a mera junção dos ingredientes e técnicas de cocção não explicam. No Omoide Sakaba esse sentimento – traduzido num clima legal – está presente também no salão, que é palco de muitas histórias interessantes. Como a de três amigas de juventude que, após décadas sem se ver, se reencontraram por lá. Estavam cada uma em uma mesa e, não fosse a primeira ter levantado e reconhecido a segunda (e a terceira ter reconhecido ambas na agitação daquele reencontro), talvez voltassem para casa naquela noite sem se dar conta das amigas a poucos metros de distância. É, o Omoide Sakaba tem dessas coisas... na cozinha e no salão... promove encontros: reais e em nossa memória afetiva.


De fachada discreta, a casa de menos de dois anos de idade faz sucesso num bairro fora do circuito tradicional. Se morar em São Paulo ou estiver por aqui, fica a recomendação. Mas é bom fazer reserva, porque está lotando, principalmente de quinta a sábado.


Espero que tenham gostado e voltarei em breve com outras dicas de izakayas legais, ok?

E lembre-se: O saquê certo é aquele que você gosta! Kampai!


Izakaya Omoide Sakaba: Rua Luís Góis, 1574 – Bairro Mirandópolis – São Paulo, SP – Brasil Fone: 11-3459-3292


Fabio Ota

Sake Sommelier

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