Saquê e Comida - a Mágica da Harmonização

Atualizado: 25 de Jun de 2019


No caminho do conhecimento do saquê, um momento muito legal - talvez o mais legal de todos - é aquele em que começamos a combinar a bebida com a comida.


É a chamada harmonização, onde saquê e pratos se complementam e se combinam, tornam-se melhores do que se provados isoladamente. E quase infinitas são as possibilidades de harmonização, tanto na ponta dos alimentos (que podem ser originários das cozinhas de diversos países, não somente da japonesa) quanto do lado dos saquês. Assim como o vinho, essa harmonização pode ocorrer por similaridade, contraste, combinação etc.



No entanto, numa comparação com o vinho, existem duas características em termos de sabor que permitem afirmar que o saquê é mais amigável a uma gama maior de pratos de todas as origens.


A primeira característica é a baixa acidez, permitindo uma maior amplitude de combinações. A acidez aparece nos saquês, mas não com a mesma intensidade ou frequência como aparece nos vinhos, por exemplo.


A segunda característica é a ausência de taninos (aquela adstringência, que causa uma secura na boca, notável em boa parte dos vinhos tintos). Isso possibilita a combinação do saquê com uma gama muito, mas muito maior de pratos, já que taninos não costumam ir bem com diversos sabores. Essa é a razão porque, para fins de harmonização, geralmente não se bebe um Malbec argentino, um Tannat uruguaio ou um Carmenere chileno acompanhando sushis e sashimis, por exemplo.


É até difícil listar pratos que vão bem com saquê, em função dessa baixa acidez e ausência de taninos. Sem medo de errar, cairá bem com diversas cozinhas internacionais. Funcionará também com os mais diversos pratos, de vegetais e peixes crus a frituras, assados, ensopados, massas, nas mais variadas apresentações.


Pratos do mundo inteiro funcionam bem com saquê.

A flexibilidade e versatilidade do saquê em termos de harmonização explicam porque inúmeros restaurantes estrelados pelo mundo, de especialidades francesa, italiana etc têm incluído a bebida em suas cartas.


Isso sem falar que o saquê é rico em umami, o quinto gosto, que além de trazer a vontade de comer, faz com que o saquê combine melhor com alimentos que também tenham essa característica ou não, como bem apontou a Sake Sommelière Andréa Machado, nesse post anterior.


A harmonização do saquê ainda tem uma variável adicional bem legal e que a diferencia de outras bebidas mais conhecidas. É a amplitude de temperatura de serviço. Se o vinho e a cerveja partem da temperatura ambiente para baixo, o saquê pode ser servido, além da temperatura ambiente, tanto aquecido quanto resfriado. E essas diversas temperaturas serão tema de um próximo post.


E você, sabia que o saquê combina com tantos tipos de comida assim? Deixe sua opinião nos nossos canais nas mídias sociais, ok? @megasake


Kampai!!!


Fabio Ota

Sake Sommelier




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