Você sabe o que está bebendo?

Olá, fãs do saquê, tudo bem?


Hoje eu vou falar brevemente sobre a importância de saber o que - ou qual saquê - se está bebendo.



Fazendo um paralelo, uma das primeiras lições quando se entra no mundo do vinho é que anotações são importantes. É preciso tomar notas sobre o vinho que se está bebendo.


Assim irá se lembrar de qual vinho tomou e quais foram suas impressões. Se gostou do vinho, você saberá o que procurar e, se encontrar, comprar mais. Se o vinho não te agradou, saberá evitá-lo. Sem falar em outras informações úteis, como as potenciais harmonizações com comida.


No mundo dos saquês, vale a mesma regra. Lembrar qual foi o saquê que toda sua família curtiu naquele último jantar no restaurante japonês preferido vai permitir que você repita a dose numa próxima ocasião. Da mesma forma, se o saquê não foi tudo isso, está dada a dica para tentar um diferente da próxima vez.


Eu diria que essa regra de ouro acima é ainda mais dourada para os saquês. Isto porque, de forma geral, as safras de saquê sofrem menos variações de ano para ano do que as do vinho, em termos de produto final (há diversas razões para isso, mas fica para um post futuro, dos longos). Não é sempre, mas é mais comum que um saquê específico seja mais homogêneo em safras diferentes do que o vinho.


Foto que tirei em loja de São Paulo. Não são somente saquês. Lendo japonês ou não, a confusão visual existe.

Só que não é fácil captar todas as informações de um rótulo de saquê. Nem tudo o que está escrito em um dos três alfabetos japoneses (kanji, hiragana e katakana) está necessariamente traduzido no rótulo do importador, que geralmente vai colado atrás da garrafa. Além disso, a própria escrita em japonês pode estar estilizada, o que dificulta até para quem lê japonês. Sem contar que não basta conseguir ler, mas também entender os vários termos técnicos que lá estão.


Se não é fácil entender todas as informações que estão no rótulo, difícil também é contar somente com a memória para lembrar de um rótulo de um saquê que gostou ou não gostou. Embora algumas marcas já tenham se sensibilizado com a necessidade de se diferenciar, tanto pelo rótulo quanto por formato ou material da garrafa, a verdade é que a grande maioria dos saquês japoneses segue o tradicional padrão de ideogramas (kanjis) estilizados e em destaque no rótulo frontal.


Foto do painel com os rótulos de saquês da província de Niigata, na estação de Yuzawa. Difícil memorizar, não?

Mas não é preciso se desesperar. Com o tempo - e com algum estudo - começamos a distinguir alguns termos (que, aliás, serão objeto de um futuro post). Também há particularidades no rótulo ou na garrafa que podem facilitar alguma memorização. Um exemplo é o rótulo com o desenho da figura fantasiosa - e fantástica - do "Pé Grande", citado pela Andréa Machado no super post sobre saquês de Niigata, e que está também na foto acima (consegue achar?).


Uma dica é tirar uma foto do rótulo do saquê escolhido e separar depois entre os saquês que curtiu e não curtiu. Dá para usar também alguns aplicativos. Esses aplicativos são mais comuns para os vinhos, mas existem para saquês também. Ainda não testei o suficiente para opinar, mas em breve pretendo escrever algo sobre eles.


A ideia geral é que o aplicativo armazene a foto e suas notas e comentários, cruzando com as avaliações de outros usuários e facilitando a nossa vida.


Espero que tenha gostado do post de hoje e que as dicas acima te ajudem a beber mais daquilo que gosta e menos daquilo que não gosta!


E nunca é demais reforçar: o saquê certo é o saquê que você gosta! Mas para encontra-lo novamente, vai ter que se lembrar dele, ok?


Kampai!!!


Fabio Ota

Sake Sommelier

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